
Faz um ano. Agora mais. Alguns questionamentos ainda são os mesmos. Sempre bom rever.
"Depois de uma semana em um lugar de muita inspiração, cercado de pessoas que compreendem cada palavra das poesias e que dão as mãos da forma mais verdadeira, fica difícil voltar para a rotina tão apática e fragmentada. De pessoas fragmentadas, frias e individualistas. Pergunto-me se essas pessoas são tão individuais porque nunca foram sensibilizadas ou porque realmente não acreditam que um mundo mais justo e desigual é possível (com muita luta, mas é nisso que acreditamos). De volta à faculdade, diante de todas minhas anotações (que foram muitas) e reflexões, resumi meus principais questionamentos que gostaria de compartilhar com você... Qual o sentido do estudo? Qual o sentido de se estudar e conhecer os fatos? Qual o sentido de conhecer a realidade se não for para transformá-la? Para conhecer a realidade, precisamos ir além das aparências. Ir além das aparências já é um grande passo que quebra a barreira do preconceito. "Sentir o povo. Pegar o cheiro do povo." Mas em primeiro lugar, o que faz cada um querer a realidade que não a sua própria, confortável aparentemente? Talvez essa seja a resposta para um trabalho do Trabalho de Base, né? A idéia do "fazer por fazer" me inquieta... "Estudar por estudar" não me deixa em paz. Para esta juventude apática, é muito mais conveniente ver a forma linear e fragmentada do mundo, sem as contradições que nos angustia. Tenho minhas dúvidas se estamos passando por um processo de ruptura ou se é uma luta interminável. Uma professora que falou sobre Filosofia Marxista disse "Para um processo revolucionário, deve ser desconfortável viver nesse mundo!" Como causar este desconforto? Os fatos estão aí... No nosso dia-dia. Mas como tantas contradições causarão desconforto? Como causar desconforto quando temos alunos tão confortados no aconchego dos pais ou conformados com sua postura individualista diante do mundo? Como mostrar para um trabalhador que a força de trabalho dele não é paga se ele precisa do trabalho para sustentar sua família? Já disseram que a história individual de cada um ajuda a compreender. Quem explica a fé que cada um tem no ser humano? Aliás, quem explica a fé? Essa fé que nos permite OUSAR sonhar..."
Sempre bom reler... Há segredos que a vida sussura em nossos ouvidos e de repente faz sentido. Talvez até a mesma pessoa em pessoas diferentes...
- (...) as, tudo que é justo e verdadeiro deve ser incorporado, ainda que não seja realizado por gente do nosso grupo.
- (...) conhecimento verdadeiro só pode beneficiar à construção do socialismo (a direita manipula a ciência a seu favor). (...) Nossa proposta precisa ter fundamento no conhecimento.
- (...) 9 da manhã às 10 da noite, na biblioteca pública, estudando (...)
- portanto, estudar bem a matéria que escolhemos pode ser um grande serviço à causa. Não é possível pretender mudar o mundo só com nossa vontade e nossa ideologia. (...)"cavar" espaços em centros estratégicos de pesquisa.
- (...) posição de classe, quer dizer, a opção por um projeto de sociedade. (...)
- (...) atuar, inicialmente, no espaço onde gasta mais tempo. De forma ousada e cuidadosa, devemos convencer colegas dispostos para nossa causa. Esse é o nosso povo, no momento. Aí temos que descobrir, com competência e segurança, os potenciais e embriões... que, por sua vez, se tornarão multiplicadores. Isso é o trabalho de base... no caso de vocês, na faculdade. (...) A mudança só se faz com muita gente.
- foi difícil ficar em paz quando descobri a injustiça e apaixonei pela solidariedade. Na juventude, essa descoberta gera revolta, ansiedade, dúvidas... e arroubos de sair por aí denunciando e tentando mudar tudo, da noite para o dia. Com o tempo aprendi que é indispensável essa paixão pela transformação, porém, ela exige mais que nossa vontade. É preciso que haja condições objetivas (momento oportuno) e condições subjetivas (muita gente consciente e organizada) e isto não depende só do nosso querer (voluntarismo).
- (...) processo de ruptura. Como fazer a ruptura?
- (...)família. base de apoio afetivo e não romper por qualquer razão.
- (...) é preciso viver no meio da contradição, orientado pelo sonho. Essa intencionalidade o anima a continuar. Por isso, aguenta a busca pelo diploma necessário para garantir a vida na atual sociedade, vê novelas mexicanas e a droga do futebol, canta música sertanojo, participa de festinhas de patricinhas e, porque não parece um ET uma hora dessas consegue fazer a pergunta questionadora, mostra as contradições... Precisava ler isso!
- (...) fé é (...) uma convicção (...)
"Sabe também que o que foi válido para um momento pode servir como inspiração, mas nunca como resposta acabada para hoje.
Existe uma grande vantagem na juventude quando ela se dispõe a um processo de transformação. Ela tem muita vontade, garra, energia, idéias novas e ousadia, sobretudo, sonhos... e ainda não está enraizada de forma mais permanente."
E não é que parece a mesma pessoa?
"em vez de pensar se há um destino ou não que orienta a vida das pessoas - não entro nessa discussão sem fim - prefiro pensar estou aqui e aqui é meu novo posto de aprendizado, de contribuição... e como dizes, me jogo de cabeça, procurando extrair o máximo dessa situação de fato. Ainda para ti que estás num tempo de preparação e transição. Esse tempo é munição para tua contribuição como profissional enquanto construção de um outro modelo de desenvolvimento."
E não é que parece a mesma pessoa?
"em vez de pensar se há um destino ou não que orienta a vida das pessoas - não entro nessa discussão sem fim - prefiro pensar estou aqui e aqui é meu novo posto de aprendizado, de contribuição... e como dizes, me jogo de cabeça, procurando extrair o máximo dessa situação de fato. Ainda para ti que estás num tempo de preparação e transição. Esse tempo é munição para tua contribuição como profissional enquanto construção de um outro modelo de desenvolvimento."
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