Na verdade eu queria dormir cedo porque amanhã vou tomar café-da-manhã na UFAM e não quero sentir sono nas aulas de amanhã: Avaliação de Impactos Ambientais e Ecologia da Amazônia.
Mas minha vontade de estar um pouco mais perto de pessoas com quem gostaria de compartilhar esses momentos é maior que a vontade de descansar. Ok. Amanhã resolvo isso com um pó de guaraná e suco de açaí!
A minha mania de querer escrever e anotar sobre tudo que vejo, sinto, cheiro, ouço, percebo ou faço algo diferente não é de hoje. É uma vontade de relatar essa aventura maravilhosamente assustadora mas ao mesmo tempo encantadora que o universo ao meu redor têm se revelado. E essa mania é complicada, já que nenhum dia é igual ao outro, principalmente quando se está em outra universidade, em outra cidade, outro estado, outra região do país, entre tantas coisas acontecendo em um macro e micro universo em particular.
São milhares de reuniões extraordinárias que convoco comigo mesma todo tempo. De tanto acontecerem já se tornaram ordinárias, mas mesmo que ordinárias, merecem relatorias. Impressões, sensações, expectativas, alegrias, angústias que tanto querem ser compartilhadas com quem gostaria que estivesse por perto!
Tenho uma teoria bem complicada. Tipo assim... o que a gente é o que é hoje, é um recorte e cole de tudo que nos aconteceu, é uma coletãnea daquilo que fomos e por isso, somos como somos hoje, porque um dia fomos. Assim, meio confuso porque eu sou confusa mesmo! Mas o que eu quero dizer com tudo isso é que nossas vivências são fundamentais para a construção e reconstrução de quem somos. E essas vivências... são essencialmente pessoas. Momentos também, mas momentos com pessoas. E mesmo se eu passo por um momento de solidão, em um ônibus, caminhando para a sala de aula, lendo um livro, indo dormir, sempre, sempre, sempre tudo aquilo que eu vejo, sinto, cheiro, ouço, percebo ou faço me lembra as pessoas daqueles momentos, das minhas vivências. A maneira como eu vejo o mundo por outro ângulo, muitas vezes de cabeça para baixo; a maneira tão delicada e instintiva como eu sinto a vulnerabilidade de tudo que me toca de certa forma; a forma como aprendi a olhar para frutas e flores sentindo muito mais o cheiro e por isso ficam mais gostosas e belas; a maneira dedicada para ouvir as pessoas que observei pessoas fazendo e percebi o quanto é bom ; a sensibilidade para ouvir uma música e entender seus versos ou arrepiar com uma nota maior; enfim, todas essas novas percepções de um novo mundo só se revelaram novas para mim porque tive a felicidade ou sorte de encontrar pessoas especiais e extraordinárias, cada qual com sua intensidade, seu jeito, sua personalidade, suas alegrias, suas chateações, mas todos admiráveis. Descobriram o detalhe das pequenas coisas e isso é um segredo. Pouca gente sabe disso, e por isso o mundo está tão ganancioso, no pior sentido possível.
Então, já dei uma viajada que nem sei se deu para acompanhar. Mas é só para dizer tudo, tudo, tudo isso, este novo mundo que eu falei, este segredo que se revela aos poucos, tudo isso é só porque o meu caminho cruzou com o caminho dessas pessoas. Lembrar delas é, por isso, inevitável. Sim, e vem junto essa vontade louca de compartilhar esses momentos, um relâmpago de pensamento, uma impresão, uma aula, uma leitura, um causo, uma expectativa, de novo, tudo... É um sentimento de gratidão. Por causa dessas pessoas, outras novas percepções sobre gratidão, amizade. E agora de saudade também.
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